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Ela despertou e olhou confusa ao seu redor.A caixa de acrílico aonde estava presa permitia-lhe ver o que estava além.E isso eram diversos outros caixões,com diversas outras pessoas.Algumas totalmente paradas,conformadas de estarem ali; outras,como ela,percorriam com os dedos a tampa do caixão,procurando alguma falha que pudesse fazer a tampa levantar.Outras pessoas,mais desesperadas,socavam violentamente as tampas e paredes de suas caixas,ao que eram observadas com olhar de piedade das pessoas comportadas.Alguns caixões tinham rachaduras,e era por lá que as pessoas tentavam respirar,ao invés do pequenino furo que havia em todos os caixões para que pudessem respirar seus ocupantes.Porém,apesar de toda essa diversidade entre pessoas,uma coisa ela pode observar que lhes era comum: todos tinham um semblante triste.Só uma pessoa tinha um leve sorriso nos lábios,como quem sabe de um grande segredo...Este homem não estava preso num caixão.Rondava-os,caminhando tranquilamente.Os comportados lhe olhavam com desprezo e tentavam se apertar contra o chão da caixa,achando que podiam ser tocadas por ele,como se não soubessem que estavam lacradas com aquela camada de acrílico.Certo senhor de terno e gravata chegou a dirigir-lhe uma palavra LOUCO!,porém ele nada fez,tampouco desfez seu sorriso.E ela então pensou,enquanto quebrava a tampa da caixa:Então é isso que chamam de ser adulto!

