sábado, dezembro 30, 2006

É quase 2007, e eu não compartilho o espírito de ano novo que contagiou a (quase) todos.
Simplesmente não consigo escrever uma frase como "2007...pode vir!" ou algo do gênero.
Eu não entendo essa comemoração de fim de ano, realmente.Porque as pessoas não comemoram a virada dos meses?Para mim é a mesma coisa...
Não que este ano tenha sido ruim.Poderia passar horas falando sobre ele, sem ter realmente nada para contar.
Esse ano foi sentido em meu estômago, embora não tenha sido sentido na ponta de meus dedos.

Esse ano Morphine se juntou à Lavínia e Virgínia.
Morphine é real, mesmo sendo uma ilusão, assim como eu sou real, mesmo sendo uma ilusão.
Morphine vive em uma dimensão paralela.Ela está em uma casa de repouso, ele não tem faculdades ou títulos importantes.Ela é tristemente feliz.Ela tem o conforto da loucura.Ela é feita de pedra, quando não tem uma caneta nas mãos.Ela consegue escrever por horas, porque ela consegue fascinar os textos e eles gostam de sair por ela.
Ela tem ELE, ela sempre teve ele, seja em casa ou naquela local onde ela está.
Ela gosta dele porque ele a faz se sentir estúpida.
Não idiota, apenas uma criança.
E ele sabe as 4 palavras que a fizeram se desarmar.
Ele sabe dizer aquela palavra que ninguém sabe dizer, com a entonação certa.


Eu nem sei porque escrevi isso, mas resolvi obedecer uma vontade minha.
Porque aquilo que eu julgava precioso foi arrancado de minhas mãos, e eu nem tive tempo de admirá-lo melhor.
Deixa p'ra lá, deixa...................................................

...depois de ti.

terça-feira, dezembro 05, 2006

não encontra limites;

Eu quero ser tua xícara de café.

Eu quero ser tua xícara de café pela manhã, eu quero ser confundida com tua mãe e ouvir risadas, eu quero te arrastar pelos tornozelos,
eu quero ser o acento das tuas rimas, o ponto final de tuas frases, a sílaba tônica do teu nome,
eu quero ser o ritmo da tua música, uma nota musical qualquer,

Eu quero ser a tua meia esquerda (aquela que sempre perdes e procura incessantemente pela casa);
eu quero ficar em tua escrivaninha (e ser jogada no chão quando te irritares),
eu quero cozinhar para ti e ser teu açúcar,
eu quero rasgar tuas contas e cortar teu cabelo,
e mentir para teu chefe,
e mentir para tua mãe,
e mentir para a vizinhança toda

Eu quero sair correndo pelo frio da noite, parecendo ser o que realmente sou (uma criança assustada e perdida),
quero olhar para trás e ver teu pijama (e rir dele quando relembrarmos a ocasião),

Eu quero marcar teus lençóis com meu batom,
e as paredes com meu esmalte,
E colorir tua casa com minha maquiagem,
e colocar música em teu banheiro,
E ser o vento correndo em teus corredores,

Enfim,

Eu quero ser tua xícara de café.

teatro dos sonhos.

- teu cabelo me faz cócegas.
- teu brinco me faz cócegas.
- é cafona, e eu fico louca.
- fico louco.
- teu perfume é inebriante.
- esse perfume...
- o poema que sonhei noite passada.Recitaria para ti.
- Esquecestes.
- Sem problemas.Duas palavras para ti.Melhor, uma só.
- o quê?
- sentimento inefável.
- Sentimento vem de sensação; sensação vem de sentido,
- Essa não faz sentido.Isso não faz sentido.
- E no entanto sentes.
- Vejo
- Toco
- Sinto.O que sinto é interno, nada mais.
- coração?
- Não, coração é metáfora de cérebro.O que sinto é no estômago.
- No estômago?
- Mais visceral, mais primitivo.É instinto.Amo com o estômago.
- pra lá.Faz sentido.
- pois sinto.E no coração, ou cérebro - que seja - o que percebo é que me preocupa mais essa saudade personificada.Não a outra, carne e osso, mas essa, de idéias.
- a saudade é importante para quem fala a língua portuguesa.Sei que o sentimento não existe só aqui, mas parece.
- é o estômago!
- deixas prá lá?
- depois de ti.