sexta-feira, dezembro 30, 2005

Uma relação tão diferente, chegando a ser revoltante para alguns, fonte viva de asco, como se fosse algo fétido como o vômito de algum bêbado esquecido na marginal dos prazeres da juventude-glamour.
Trash, isso sim que é.Uma mulher que admite dependência de porra?Ah, ora, vamos lá, drogas são aceitáveis, glamourosas, mas isto?É anti-natural, como se o prazer que não envolvesse tecnologia e/ou algum trabalho fosse ultrajante agora.
Uma moça não se presta a isso, gritam os pavões humanos que lotam bares e festinhas que custam o que poderia pagar-te casa e comida por um bom tempo.E eles, o que fazem?Não se comem todos do mesmo jeito no fim...?
E se ela te grita que é puta?Se tu ouves, está certo, pois bem, se a queres.
Se não queres, os outros é que ouvem.E se chocam, ah, se se chocam!
O que aconteceu, me diga!
Pareciam tão bem, rei e rainha do puto glamour, onde andavam como se suas auras fossem diferentes, divinas, ferinas, felinas.
Mas ela errou, ah, errou.Pois bem, quis tirar a máscara de libertina - quis ser mulher.
Ou será que ela somente quis ser maltratada e despejada, para poder apresentar razão para o sofrimento que demonstra sempre?
Ah, e é claro, ser a Rainha do trash.

Nada mais trash do que demonstrar sentimentos, meu bem.Só perde pra pedir amor de forma violenta.

Logo ela estará batendo a cabeça no poste e gritando por ti na frente da tua casa.

A falsidade é linda, o amor é que estraga tudo.
A experiência dela me sufoca.Meu Deus, como alguém tão jovem pode se sentir tão velha?E tão putamente linda?
É ela quem toma meu lugar em ocasiões importantes.
Me cria como bichinho, como algo fofo e idiota.
É ela a libertina, é ela a do gosto de álcool na boca, é ela a do pó, a que quer textos, mágoas e corações despedaçados.
É ela quem me diz que as pessoas buscam nas outras o amor que não têm dentro de si.
É certo, eu a amo, eu a amo?
Ela pede desculpas.Diz que não pode me amar.
Ela já se ama.

Se eu a esquecer, é bem provável que enlouqueça.Não tenho as engrenagens p'ra beber de uma fonte seca, pra insistir em viver num caixão, de vidro, mas ainda assim um caixão.
Mas fui eu quem cresceu alimentada com filmes da sessão da tarde e palavras carinhosas.Onde será que tudo se quebrou?Onde o açúcar começou a ser expelido, ou talvez sugado por algum ser obscuro?

I'm too young to feel so old.
Seus cabelos pretos pareciam plástico p'ra mim.
Ela sorria, mas seus olhos continuavam tristes, vazios.
E então ela me disse "homens não me faltam, meu bem, o que falta é amor".
Eu sorri, sem poder deixar de concordar.
Ela deu uma risada, e naquele momento eu soube que ela era a mulher da minha vida.

O fantasma dela era tudo que eu merecia ser, puta sonhadora mascarada de libertina.
Cabaret?Não, hoje estou afim de comprar um abraço.

Ela cheira a algo que nunca existiu.
E eu, clichê sobre duas pernas.

Ela ama a minha devoção, eu amo sua existência.

Ela me deu glamour numa caixinha.
Eu dei meu coração.

Ela não me faz me sentir feliz.Ela me faz me sentir VIVA.
Era desejo e carne.Uma sonhadora que se fantasiava de libertina.Que mal podia mascarar seus delírios, quem diria parar de sonhar...
Quantos dias, semanas, de hiato criativo são sentidos fisicamente por mim?
Da raiva que me escapa por não pôr em palavras claras idéias?Quanto ódio, desprezo e a puta necessidade de ração para meu ego?
De que valem as noites (plural??) em que sinto verdadeiramente a morte, enquanto, na trilha sonora, soluços tão altos que poderiam passar por novela mexicana?
De que serve essa sensação real de morte, não aquela, camuflada, de tristeza profunda, mas a real, a física?
De que serve se ela não vai ao papel?
Se a madrugada termina numa caneta quebrada e um ritual grotesco de auto-mutilação?

A luz me corrompe.
A sobriedade é indecente.


Meu prazer é com uma pitada de dor, por favor.

sábado, dezembro 17, 2005

Ele tinha uma mania que eu achava fodíssima:ficar com as pessoas no meio da rua.Se ele percebesse que uma moça tinha tempo e disposição para ficar com alguém, tirava a sorte com os amigos e atacava a presa.
E foi assim que ele me encontrou.Com o carro quebrado, sentada no meio-fio.
Uma hora depois, em sua cama.O que eu poderia dizer?Eu não costumava ser (tão) vadia assim.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Trancou a porta da sala,aquela vontade louca de ficar só a consumia...
Não o tipo de vontade de ver um filme sozinha p'ra não ouvir comentários,ou de ler trancada em casa p'ra não ser interrompida, mas a vontade de desaparecer em algum pequeno paraíso, escondido no meio de árvores e alguma coisa feita de água, seja rio, riacho, igarapé, piscina, ou tanto faz.
A vontade de não ter que falar com ninguém, de não responder nenhuma pergunta, nem mesmo "como vai?" ou "quantos pãezinhos,moça?".Mas não podia, era constantemente forçada ao convívio humano, os familiares tão odiosamente preocupados, os colegas tão estupidamente simpáticos, forçando-a a fingir uma risada pr'a cada piada, a inventar uma desculpa pros inúmeros convites p'ra sair.

Raiva, intolerância, incompreensão, e "como eles conseguem não perceber que odeio todos, que não quero falar com ninguém, quero ficar só, pensar, pensar!"
Silêncio, silêncio, olhares e...
"Você sabe que isso não é comum na sua idade, não sabe?"
"Supõe-se que eu deva saber, que vocês tem enormes livros e nos etiquetam pela idade, achando que neles vão encontrar exatamente o modo de nos tratar?Ah, ela não é realmente uma pessoa, vamos ver o que o livro manda fazer?"
...silêncio
"Só porquê tenho esta idade vou agir de 'x' modo, e isso vai fazer meu comportamento inteiro ser assim, esteriotipado?"
"As pessoas da sua idade normalmente têm uma necessidade imensa de ser aceita, de se ver rodeada de pessoas, de conhecer o maior número possível de pessoas...Ninguém deseja ficar completamente sozinho!"
"Então me faz estranha comemorar quando meus conhecidos estão doentes e não podem ir ao local que temos em comum...?"
...
"Eu realmente quero ficar só e pensar como gente.Só me vejo rodeada de idiotas."
...
...
"Você pode estar doente,sabia?"
...
...
"Eu REALMENTE não me importo."